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Natupharma Manipulação & Medicamentos Dermatologia

Dermatite atópica

Barreira cutânea, sistema imunológico e microbiota

Mulher coçando o braço com lesões avermelhadas de dermatite

Potenciais alternativas para estimular a função de barreira, o equilíbrio do sistema imunológico e da microbiota cutânea na terapêutica da dermatite atópica.

Visão geral

A dermatite atópica (DA) é uma forma específica de eczema, caracterizada principalmente por inflamação cutânea crônica. Entre os fatores causais estão a alteração da função de barreira, a disbiose da microbiota cutânea e a disfunção imunológica; a principal via inflamatória é a Th2, desencadeando coceira. Muitos pacientes apresentam também rinite alérgica e asma.

Berbert, Berbert & Scheinberg, 2024

O distúrbio crônico, associado ao prurido, geralmente começa na infância e pode se estender por décadas, com pele seca, lesões e liquenificação. Pode associar-se a outros distúrbios mediados por IgE, como rinite alérgica, asma e alergias alimentares, e tem recidivas e remissões, em alguns casos exigindo uso de medicamentos.

Kolb & Ferrer-Bruker, 2023

Pessoas expostas continuamente a fumaça, tabaco, pelos de animais, grandes variações de temperatura, pólen, detergente e lã apresentam sintomas contínuos que afetam a qualidade de vida; a coceira persistente e recorrente é um dos mais desconfortáveis.

Por essa patogênese complexa, restaurar a integridade da barreira da pele e equilibrar a resposta imune e o microbioma cutâneo é essencial. Os pilares do tratamento são emolientes e agentes anti-inflamatórios tópicos; em casos moderados a graves, considera-se terapêutica imunossupressora sistêmica ou imunobiológica, indicada apenas para DA crônica grave sem resposta ao tratamento tópico.

A DA requer tratamento multialvos: evitar gatilhos ambientais, restaurar a função de barreira, estimular o equilíbrio da microbiota cutânea (reduzindo a proliferação de Staphylococcus aureus e aumentando a diversidade microbiana) e, por imunomodulação, regular vias inflamatórias, minimizando coceira e lesões. Alternativas personalizadas podem otimizar o controle dos sintomas e reduzir recidivas; conforme a gravidade, são necessários tratamentos de manutenção.

Goh, Yun & Su, 2022

Uso tópico

Opções terapêuticas para o tratamento da dermatite atópica

Emolientes e hidratantes na terapêutica da DA

A DA leve pode melhorar com emolientes, que regulam os sintomas; a associação de substâncias com potencial anti-inflamatório ajuda a impedir recidivas. Emolientes podem ser combinados a corticosteroides para potencializar os resultados, e a manutenção com emolientes é vantajosa por suas propriedades antimicrobianas, antioxidantes, anti-inflamatórias e imunomoduladoras.

A aplicação tópica de óleos vegetais também pode favorecer a produção de ceramidas, estimulando uma barreira epidérmica saudável e funcional.

Cho et al., 2022; Goh, Yun & Su, 2022; Kolb & Ferrer-Bruker, 2023

Agentes umectantes e hidratantes

Alterações na função de barreira (síntese de ceramidas e esfingolipídios), desequilíbrio imunológico e alteração do microbioma cutâneo são fatores de extrema relevância na patogênese da DA. Substâncias com efeito emoliente, umectante e hidratante podem favorecer o controle dos sintomas.

Goh, Yun & Su, 2022; Kolb & Ferrer-Bruker, 2023

Sugestão de fórmula • OUT
01

Intensa hidratação cutânea

Óleo de semente de uva3%
D-pantenol5%
Aveia coloidal3%
Ciclometicone3%
Vaselina2%
Glicerina2,5%
Creme qsp100 g

Posologia: Aplicar sobre a pele após o banho, ou conforme indicado.

Sugestão de fórmula • OUT
02

Efeito calmante, hidratante e anti-inflamatório

Aveia coloidal4%
Aurafirm N®1%
Oat Lipid®1%
Óleo de rosa-mosqueta1%
Óleo de oliva4%
Turmeria Zen™0,5%
Creme qsp100 g

Posologia: Aplicar sobre as lesões 1 a 2 vezes ao dia, ou conforme indicado.

Sugestão de fórmula • OUT
03

Hidratante, antisséptico e barreira cutânea

Oat Lipid®3%
Hidroviton2%
PCA-Na2%
Óleo de melaleuca0,5%
TCM3%
Dimeticone2,5%
Creme qsp100 g

Posologia: Aplicar sobre as lesões 1 a 2 vezes ao dia, ou conforme indicado.

Óleos vegetais para hidratação cutânea

Ativo e concentraçãoAção
Oat Lipid® (Avena sativa kernel oil)0,5% a 5%Hidratante, antioxidante, anti-inflamatório, antifúngico e antiviral; alivia a coceira.Song et al., 2021; Kim et al., 2023
Óleo de melaleuca (tea tree oil)1% a 10%Antifúngico e antisséptico, acelera a recuperação da pele.Pazyar et al., 2013
Óleo de oliva (Olea europaea L.)1% a 5%Emoliente rico em antioxidantes; hidrata e repara a barreira cutânea, reduz a inflamação e alivia coceira e irritação.Panahi et al., 2020
Óleo de rosa-mosqueta (Rosa canina L.)1% a 10%Anti-inflamatório, reparador e protetor contra desordens inflamatórias.Oargă et al., 2024
Óleo de semente de uva (Vitis vinifera L.)1% a 10%Anti-inflamatório; restaura a função de barreira da pele.Harwood et al., 2024

Otimizar a função de barreira e a hidratação cutânea

Ativo e concentraçãoAção
D-pantenol (pró-vitamina B5)0,5% a 5%Hidratação, epitelização, ação cicatrizante e anti-inflamatória.Cho et al., 2022
Pirrolidona carboxilato de sódio (PCA-Na)1% a 5%Auxilia na manutenção da hidratação cutânea.Harwood et al., 2024
Hidroviton0,2% a 5%Hidratação e umectação da pele via fator natural de hidratação (NMF).Harwood et al., 2024
TCM (triglicerídeos de cadeia média)0,2% a 5%Restaura a barreira cutânea, estimulando a retenção de água e a hidratação; reduz a inflamação e ajuda a prevenir infecções secundárias, com efeito antimicrobiano.Danby et al., 2022
Dimeticone1% a 5%Forma barreira protetora na pele, reduz a perda de água, alivia descamação e prurido e protege de irritantes externos.Danby et al., 2022
Ciclometicone1% a 5%Forma barreira sobre a pele, hidrata sem sensação oleosa e reduz irritação e sensibilidade cutânea.Danby et al., 2022
DC 350 (silicone de alta viscosidade)1% a 5%Hidrata intensamente, restaura a barreira cutânea e reduz a sensibilidade.Danby et al., 2022
Turmeria Zen™2% a 10%Cúrcuma em nanopartículas, anti-inflamatória e antioxidante; reduz prurido e irritação, melhorando a regeneração cutânea.
Aveia coloidal1% a 5%Hidratante e anti-inflamatória; regula mediadores inflamatórios.Song et al., 2021; Kim et al., 2023
Aurafirm N®1% a 5%Obtido da fermentação da aveia; equilibra a microbiota cutânea, fortalece a barreira, favorece a hidratação e diminui inflamação e prurido.Song et al., 2021

Corticosteroides

Emolientes regulares e anti-inflamatórios tópicos são os pilares do tratamento e funcionam bem na DA leve; com a piora do quadro ou sintomas mais graves, os corticosteroides são recomendados conforme a potência, a gravidade e a localização das lesões.

O uso prolongado de corticoides de alta potência em áreas extensas parece relacionar-se à supressão do eixo adrenal, o que pode potencializar efeitos adversos.

Goh, Yun & Su, 2022

Sugestão de fórmula • OUT
04

Terapêutica com corticosteroide moderado

Triancinolona0,02%
Creme qsp15 g

Posologia:
Lesões agudas: aplicar sobre a área das lesões, ou conforme orientação.
Terapêutica de manutenção: aplicar sobre as lesões 1 a 2 vezes por semana.

Corticoides de uso tópico

PotênciaCorticoide
BaixaHidrocortisona 0,5%, 1%
Desonida 0,05%
ModeradaValerato de betametasona 0,02% a 0,05%
Acetonido de triancinolona 0,02%
PotenteDipropionato de betametasona 0,05%
Valerato de betametasona 0,1%
Furoato de mometasona 0,1%
Alta potênciaDipropionato de betametasona 0,05% (veículo otimizado)
Propionato de clobetasol 0,05% (associado)

Imunomoduladores

Os inibidores de calcineurina suprimem a ativação das células T e regulam negativamente a secreção de mediadores pró-inflamatórios, suprimindo citocinas pró-inflamatórias e a ativação de mastócitos e monócitos.

O tacrolimus é indicado para áreas flexurais e face, especialmente nas pálpebras e ao redor delas, para evitar atrofia e outras complicações do uso de corticosteroides potentes. Como desvantagens, tem custo elevado e pode causar queimação ou coceira transitórias no local.

Goh, Yun & Su, 2022

Sugestão de fórmula • OUT
05

Inibidor de calcineurina

Tacrolimus0,03%
Vitamina D0,005%
Creme qsp30 g

Posologia: Aplicar uma camada sobre a área afetada pelas lesões, ou conforme indicado.

Inibidor de calcineurina

Ativo e concentraçãoAção
Tacrolimus0,03% a 0,1%Os inibidores tópicos de calcineurina (TCI) bloqueiam a transcrição de citocinas pró-inflamatórias (IL-2, IL-3, IL-4, IL-5, IFN-γ, TNF-α), inibem a ativação de mastócitos e neutrófilos, alteram a função de basófilos e eosinófilos e modulam a apoptose de células de Langerhans.Goh, Yun & Su, 2022; Cho et al., 2022

Relação da imunopatogênese da dermatite atópica Figura 1 · adaptada de Goh, Yun & Su, 2022 · toque para ampliar

Figura 1: colonização por S. aureus e superantígenos aumentam proteases e reduzem inibidores de protease; ocorre aumento de TEWL e pH e redução de AMP, lamelas lipídicas, junções de oclusão, NMF e filagrina, com ruptura da barreira epidérmica e atividade inflamatória. Nas lesões, TSLP, IL-1β, IL-25 e IL-33 ativam células de Langerhans e dendríticas, que estimulam Th1 (IFN-γ), Th17 (IL-17), Th22 (IL-22) e Th2 (IL-4, IL-5, IL-13, IL-31), levando a eosinófilos, linfócitos B, IgE, mastócitos e basófilos, histamina, substância P e coceira

Uso oral: papel dos probióticos

Em casos severos de DA, tratamentos sistêmicos são usados temporariamente até o controle da doença. Como alternativa, os probióticos têm se mostrado eficazes. Segundo Umborowati e colaboradores (2022), probióticos, vitaminas, minerais e ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) ajudam a modular a resposta imunológica e a reduzir a inflamação, oferecendo suporte complementar quando há reações adversas ou limitações aos tratamentos convencionais.

Os probióticos alteram o microbioma intestinal, com aumento de Bifidobacterium e Lactobacillus, fortalecendo a barreira intestinal e protegendo contra bactérias patogênicas, além de modular a resposta imune ao reduzir mediadores inflamatórios.

Umborowati et al., 2022; Andrade et al., 2022

Estudo: redução da gravidade da DA após uso de mix de probióticos

Ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, com 60 participantes de 6 meses a 19 anos com DA moderada a grave, que receberam diariamente, por 6 meses, uma composição de probióticos 1×10⁹ UFC (Lactobacillus rhamnosus, L. acidophilus, L. paracasei e Bifidobacterium lactis) ou placebo, com acompanhamento por 12 meses.

Conclusão

A formulação probiótica mostrou-se segura e bem tolerada em crianças e adolescentes com DA, sugerindo seu potencial como adjuvante no tratamento da DA moderada a grave.

Andrade et al., 2022

Mudanças no uso de medicamentos ao longo do estudo Gráfico 1 · toque para ampliar

Gráfico 1: número médio de produtos usados por paciente (hidratantes, anti-histamínicos, corticosteroides tópicos e orais, imunossupressor tópico e antileucotrieno) nos grupos placebo e probióticos aos 0, 3, 6, 9 e 12 meses; o grupo probiótico usou menos produtos, com diferenças significativas em 0 (p=0,04), 6 (p=0,03) e 9 meses (p<0,01)
Sugestão de fórmula • IN
06

Modulação do sistema imuneAlívio dos sintomas e controle da DA · sugestão do artigo

Lactobacillus rhamnosus1 BLH UFC
Lactobacillus acidophilus1 BLH UFC
Lactobacillus paracasei1 BLH UFC
Bifidobacterium lactis1 BLH UFC

Posologia: Ingerir 1 dose ao dia, ou conforme indicado.

Referências

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