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Longevidade

Dor crônica e recuperação funcional

Neuropatias, tendinopatias e dores persistentes

Mulher de cabelos grisalhos com a mão nas costas, com expressão de dor

Atualizações em suplementação para complementar o manejo de neuropatias, tendinopatias e condições dolorosas persistentes.

Visão geral

A dor crônica representa um dos principais desafios da prática clínica por sua natureza multifatorial, impacto funcional e tendência à progressão quando não abordada de forma individualizada.

Condições como dor lombar persistente, neuropatia diabética, síndrome do túnel do carpo, tendinopatias e outras síndromes dolorosas frequentemente comprometem a mobilidade e a qualidade de vida, além de favorecerem o uso recorrente de analgésicos e anti-inflamatórios.

Lang-Illievich et al., 2023

Nesse contexto, a suplementação permite combinar ativos voltados à função neural, à sensibilização dolorosa, à resposta inflamatória e à recuperação musculotendínea.

A seleção racional de ácido alfa-lipoico, PEA, Rephyll®, vitaminas do complexo B e outros compostos possibilita complementar o tratamento convencional, com foco no controle dos sintomas, na preservação da mobilidade e na recuperação funcional.

Hong et al., 2024

Condições clínicas que podem ser favorecidas pela suplementação
  • Dor lombar persistente.
  • Neuropatia diabética.
  • Síndrome do túnel do carpo.
  • Dor persistente agravada pelo estresse.
  • Dor crônica com limitação funcional.
  • Tendinites e tendinopatias.

Principais alvos terapêuticos da suplementação

Fatores associados à menor resposta clínica

  1. 1

    Suporte à função neural

    A preservação da integridade das fibras nervosas favorece a condução adequada dos impulsos e contribui para o alívio de dor, queimação, parestesias e alterações de sensibilidade.

  2. 2

    Modulação da resposta inflamatória

    A redução da resposta inflamatória diminui a produção de mediadores envolvidos na manutenção da dor, favorecendo o controle dos sintomas e a redução da sensibilização dos tecidos.

  3. 3

    Redução da sensibilização dolorosa

    A atuação sobre as vias envolvidas na transmissão da dor reduz a hipersensibilidade do sistema nervoso, diminuindo a intensidade e a persistência dos sintomas, especialmente em condições de dor crônica e neuropática.

  4. 4

    Recuperação musculotendínea

    O suporte à função musculotendínea contribui para o alívio de dor, rigidez e limitação funcional após sobrecarga.

Saleh; Sedik, 2024; Atmaca et al., 2024; Ziegler et al., 2023; Hsieh et al., 2023; Abubaker et al., 2022

As estratégias apresentadas a seguir exemplificam possibilidades de prescrição magistral, permitindo individualizar a suplementação conforme a origem da dor, o perfil clínico e os objetivos terapêuticos de cada paciente.

Abordagem terapêutica integrada Figura 1 · toque para ampliar

Figura 1: neuroinflamação e sensibilização dolorosa levam à cronificação da dor, com persistência da dor e limitação funcional; a suplementação estratégica (ácido alfa-lipoico, PEA, Rephyll e Chronic) modula a resposta inflamatória e dá suporte neural, levando ao controle da dor, recuperação funcional e alívio de sintomas

Ativos estratégicos e suas aplicações clínicas no manejo da dor

Tabela 1

SubstânciaIndicação principalCenário clínicoBenefício terapêutico
Ácido alfa-lipoico100–600 mgDor neuropáticaNeuropatia diabética e periférica, síndrome do túnel do carpo.Reduz o estresse oxidativo neural, preserva a função dos nervos e melhora a condução nervosa.
PEAPalmitoiletanolamida · 300–1.200 mgDor persistenteDor persistente, sensibilização central, fibromialgia.Atua sobre mastócitos e micróglia, reduz a neuroinflamação e auxilia no controle da sensibilização dolorosa.
Rephyll®500 mgAlívio da sensação dolorosaDor muscular tardia, dor reumática, dor neuropática crônica.Atua sobre receptores CB2, reduzindo a resposta inflamatória e favorecendo o controle da dor.
Move™100 mgSaúde articular e inflamaçãoOsteoartrite, artralgia, rigidez articular.Atua sobre a resposta inflamatória, favorecendo conforto articular, mobilidade e capacidade funcional.
Chronic®250–500 mgPreservação da função muscularSarcopenia, fragilidade musculoesquelética, perda funcional relacionada ao envelhecimento.Modula inflamação e estresse oxidativo, favorecendo metabolismo muscular, força e desempenho funcional.

Olhar científico

Ácido alfa-lipoico e superóxido dismutase no tratamento da dor lombar crônica

Battisti e colaboradores (2013) realizaram um estudo prospectivo, não randomizado e aberto, para avaliar o efeito do ácido alfa-lipoico (ALA) associado à superóxido dismutase (SOD) sobre a dor lombar crônica. O objetivo foi analisar a percepção da dor, a capacidade funcional e o uso de analgésicos em 98 pacientes com mais de 18 anos e lombalgia crônica (≥ 12 semanas), com ou sem radiculopatia, avaliados antes e após a suplementação.

Os pacientes receberam, por 60 dias, ALA 600 mg e SOD (140 UI). Os métodos de análise incluíram o Questionário de Incapacidade de Roland Morris, a Escala Visual Analógica de Dor (VAS), o monitoramento do uso de analgésicos e a observação de eventos adversos.

Resultados

  1. Houve melhora clínica e estatisticamente significativa da dor após 40 dias de suplementação, acompanhada de melhora funcional.
  2. A suplementação promoveu redução no uso de analgésicos: apenas 8,2% dos pacientes mantiveram o uso ao final do estudo (Tabela 3).

Conclusão

A suplementação se mostrou benéfica e bem tolerada, sem relato de efeitos colaterais. Houve melhora estatisticamente significativa tanto na percepção da dor quanto na incapacidade funcional, refletindo em melhora da qualidade de vida em comparação ao quadro relatado antes do início do estudo.

Sugestão de fórmula a partir do estudo

Sugestão de fórmula • IN
01

Auxiliar no manejo da dor lombar persistente

Quando usarPacientes com dor lombar persistente, rigidez e limitação funcional.
Ácido alfa-lipoico600 mg
TetraSOD®8 mg
Magnésio bisglicinato150 mg
Excipiente qsp1 dose

Posologia: 1 dose diariamente, ou conforme orientação profissional.

Sobre os ativos
Ácido alfa-lipoicoALA
100 a 600 mg
Favorece a proteção neural e a condução nervosa, auxiliando no controle de sintomas neuropáticos.Battisti et al., 2013
TetraSOD®8 a 16 mg
Potente antioxidante que combate radicais livres, protegendo as células nervosas contra elevado estresse oxidativo.Toro et al., 2020
Magnésio bisglicinato100 a 600 mg
Ajuda a aliviar espasmos musculares, induzindo relaxamento muscular.Park et al., 2020

Pacientes que melhoraram, estabilizaram ou pioraram na Escala de Dor (VAS) Gráfico 1 · toque para ampliar

Gráfico 1: a maioria dos pacientes melhorou em todas as visitas, cerca de 91% após 20 dias, 96% após 40 dias e 98% após 60 dias, com poucos estáveis e quase nenhum com piora
T0: linha de base (antes da suplementação); T1: após 20 dias; T2: após 40 dias; T3: após 60 dias.

Variação na frequência de cinco incapacidades relatadas durante o tratamento (teste qui-quadrado entre T0 e T3) Tabela 2

ItemT0T1T2T3–T0
Por causa das minhas costas, uso um corrimão para subir escadas.43/9837/9825/98p = 0,062
Por causa das minhas costas, tenho que me segurar em algo para sair da poltrona.38/9827/9813/98p < 0,05
Tenho dificuldade em levantar da cadeira por causa das minhas costas.32/9819/984/98p < 0,05
A dor nas costas atrapalha o sono.77/9824/9810/98p < 0,05
Por causa das minhas costas, subo as escadas mais devagar do que o normal.45/9828/9813/98p < 0,05

Variação no uso de analgésicos durante o estudo (teste qui-quadrado comparando os 3 períodos com T0) Tabela 3

PeríodoPacientes usando analgésicos, n (%)p
T072/98 (73,5%)–
T1 (+20 dias)63/98 (64,3%)T1–T0: não significativo
T2 (+40 dias)18/98 (18,4%)T2–T0: < 0,05
T3 (+60 dias)8/98 (8,2%)T3–T0: < 0,01

Sugestões de fórmulas

Sugestão de fórmula • IN
02

Coadjuvante na neuropatia diabética

Quando usarPacientes com queimação, parestesias e redução da sensibilidade.
Move™100 mg
Metilcobalamina (vitamina B12)500 mcg
Vitamina B610 mg
Vitamina B160 mg
Excipiente qsp1 dose

Posologia: 1 dose diariamente, ou conforme orientação profissional.

Sobre os ativos
Vitamina B12500 a 1000 mcg
Eficaz na redução da intensidade da dor neuropática, auxilia na manutenção das fibras nervosas e na condução do impulso nervoso.Atmaca et al., 2024
Vitamina B1Até 300 mg
Contribui para o metabolismo energético e para a manutenção da função dos nervos periféricos.Atmaca et al., 2024
Sugestão de fórmula • IN
03

Alívio de sintomas da síndrome do túnel do carpo

Quando usarCompressão do nervo mediano com dor, queimação e ardência.
PEA300 mg
Vitamina B615 mg
Excipiente qsp1 dose

Posologia: 1 dose diariamente, ou conforme indicado.

Sobre os ativos
Vitamina B630–200 mg
Essencial para a função nervosa, tem demonstrado reduzir a inflamação e melhorar os sintomas da síndrome do túnel do carpo.Muhamad et al., 2023
Sugestão de fórmula • IN
04

Dor musculoesquelética persistente

Quando usarDor musculoesquelética persistente com inflamação e limitação funcional.
Rephyll®500 mg
Resveratrol30 mg
Cureit® (curcumina)60 mg
Excipiente qsp1 dose

Posologia: 1 dose diariamente, ou conforme indicado.

Sobre os ativos
ResveratrolAté 100 mg
Propriedade anti-inflamatória e antioxidante, ajuda no alívio da dor crônica.Hong et al., 2024
Cureit®Curcumina
25 a 500 mg
Exerce efeito anti-inflamatório e analgésico, aliviando a dor crônica e reduzindo a expressão de mediadores inflamatórios.Hasriadi et al., 2021
Sugestão de fórmula • IN
05

Suporte à função musculotendínea em tendinopatias

Quando usarTendinopatias com dor ao movimento, sobrecarga e perda funcional.
Chronic®250 mg
Vitamina C200 mg
Manganês bisglicinato2 mg
Excipiente qsp1 dose

Posologia: 1 dose diariamente, ou conforme indicado.

Sobre os ativos
Vitamina C200–2000 mg
Participa da síntese de colágeno e auxilia na manutenção dos tecidos musculotendíneos.Packer, Tritschler, Wessel, 1997
Manganês1–5 mg
Cofator envolvido na formação e manutenção do tecido conjuntivo e das estruturas musculotendíneas.Horning et al., 2015

Na Biotipo, cada prescrição encontra uma solução personalizadaDiferentes formas farmacêuticas, tecnologias e novos ativos ampliam as possibilidades terapêuticas, aproximando o prescritor de soluções magistrais alinhadas às necessidades de cada paciente.

Referências

  1. Abubaker SA, Alonazy AM, Abdulrahman A. Effect of Alpha-Lipoic Acid in the Treatment of Diabetic Neuropathy: A Systematic Review. Cureus. 2022 Jun 8;14(6):e25750. doi:10.7759/cureus.25750
  2. Atmaca A, Ketenci A, Sahin I, Sengun IS, Oner RI, Erdem Tilki H, Adas M, Soyleli H, Demir T. Expert opinion on screening, diagnosis and management of diabetic peripheral neuropathy: a multidisciplinary approach. Front Endocrinol (Lausanne). 2024 Jun 17;15:1380929. doi:10.3389/fendo.2024.1380929
  3. Bagheri S, Haddadi R, Saki S, Kourosh-Arami M, Rashno M, Mojaver A, Komaki A (2023). Neuroprotective effects of coenzyme Q10 on neurological diseases: a review article. Front. Neurosci. 17:1188839. doi:10.3389/fnins.2023.1188839
  4. Battisti E, Albanese A, Guerra L, Argnani L, Giordano N. Alpha lipoic acid and superoxide dismutase in the treatment of chronic low back pain. Eur J Phys Rehabil Med. 2013 Oct;49(5):659-64.
  5. Ziegler D, Ametov A, Barinov A, Dyck PJ, Gurieva I, Low PA, Munzel U, Yakhno N, Raz I, Novosadova M, Maus J, Samigullin R. Oral Treatment With α-Lipoic Acid Improves Symptomatic Diabetic Polyneuropathy: The SYDNEY 2 trial. Diabetes Care. 2006 Nov;29(11):2365–2370. doi:10.2337/dc06-1216
  6. Hasriadi, Dasuni Wasana PW, Vajragupta O, Rojsitthisak P, Towiwat P. Mechanistic Insight into the Effects of Curcumin on Neuroinflammation-Driven Chronic Pain. Pharmaceuticals (Basel). 2021 Aug 7;14(8):777. doi:10.3390/ph14080777
  7. Hong Wu, Jia-Yi Wu, Shao-Jie Gao, et al. Resveratrol: Harnessing Nature’s Potential for Chronic Pain Relief. Authorea. November 25, 2024.
  8. Hsieh RY, Huang IC, Chen C, Sung JY. Effects of Oral Alpha-Lipoic Acid Treatment on Diabetic Polyneuropathy: A Meta-Analysis and Systematic Review. Nutrients. 2023 Aug 18;15(16):3634. doi:10.3390/nu15163634
  9. Horning KJ, Caito SW, Tipps KG, Bowman AB, Aschner M. Manganese Is Essential for Neuronal Health. Annu Rev Nutr. 2015;35:71-108. doi:10.1146/annurev-nutr-071714-034419
  10. Lang-Illievich K, Klivinyi C, Lasser C, Brenna CTA, Szilagyi IS, Bornemann-Cimenti H. Palmitoylethanolamide in the Treatment of Chronic Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis of Double-Blind Randomized Controlled Trials. Nutrients. 2023 Mar 10;15(6):1350. doi:10.3390/nu15061350
  11. Marchesi, N., Allegri, M., Bruno, G. M., Pascale, A., & Govoni, S. (2025). Exploring the Potential of Dietary Supplements to Alleviate Pain Due to Long COVID. Nutrients, 17(7), 1287. doi:10.3390/nu17071287
  12. Muhamad R, Akrivaki A, Papagiannopoulou G, Zavridis P, Zis P. The Role of Vitamin B6 in Peripheral Neuropathy: A Systematic Review. Nutrients. 2023 Jun 21;15(13):2823. doi:10.3390/nu15132823
  13. Packer L, Tritschler HJ, Wessel K. Neuroprotection by the metabolic antioxidant alpha-lipoic acid. Free Radic Biol Med. 1997;22(1-2):359-78. doi:10.1016/s0891-5849(96)00269-9
  14. Park R, Ho AM, Pickering G, Arendt-Nielsen L, Mohiuddin M, Gilron I. Efficacy and Safety of Magnesium for the Management of Chronic Pain in Adults: A Systematic Review. Anesth Analg. 2020 Sep;131(3):764-775. doi:10.1213/ANE.0000000000004673
  15. Saleh DO, Sedik AA. Novel drugs affecting diabetic peripheral neuropathy. Iran J Basic Med Sci. 2024;27(6):657-670. doi:10.22038/IJBMS.2024.75367.16334
  16. Toro V, Siquier-Coll J, Bartolomé I, Robles-Gil MC, Rodrigo J, Maynar-Mariño M. Effects of Tetraselmis chuii Microalgae Supplementation on Ergospirometric, Haematological and Biochemical Parameters in Amateur Soccer Players. Int J Environ Res Public Health. 2020 Sep 21;17(18):6885. doi:10.3390/ijerph17186885
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