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Holística Manipulação, Saúde e Bem-Estar Saúde da mulher

Microbiota vaginal e saúde urogenital

Barreira, microbiota e pH vaginal

Mulher com as mãos sobre o baixo-ventre

Como integrar terapias farmacológicas e intervenções suplementares para restaurar o equilíbrio da barreira e da microbiota vaginal e estabilizar o pH local.

Visão geral

A recuperação da microbiota vaginal é um passo decisivo para controlar vaginose bacteriana, candidíase recorrente e sintomas do trato geniturinário, especialmente quando há alteração do pH, redução de lactobacilos dominantes ou inflamação persistente.

Em muitos casos, o tratamento antimicrobiano resolve o episódio agudo, mas interfere na microbiota residente, o que favorece novas infecções e a manutenção dos sintomas. Por isso, associar antifúngicos ou antibacterianos ao uso de probióticos dirigidos, prebióticos e compostos tróficos torna-se essencial para restabelecer o microambiente vaginal e interromper infecções recorrentes.

Ullman et al., 2024

Nesse cenário, combinar terapêutica convencional com intervenções suplementares representa um avanço significativo no manejo das desordens geniturinárias. A utilização de filmes e óvulos vaginais com ação antifúngica e reparadora, bem como de cápsulas acidificantes, permite atuar diretamente no pH, em biofilmes e na restauração da barreira epitelial, favorecendo a recolonização por lactobacilos e o equilíbrio do pH fisiológico.

Quando essas estratégias locais são associadas a probióticos orais, cranberry, D-manose, lactoferrina, quitosana e inulina, potencializa-se a via intestino–vagina, aprimorando a estabilidade microbiana e ampliando a defesa contra patógenos.

Conforme demonstrado por Chee, Chew & Than (2020), essa abordagem integrada acelera a melhora dos sintomas, reduz a inflamação e diminui as recidivas, promovendo recuperação e resultados sustentáveis, refletindo em maior conforto e qualidade de vida das pacientes.

Impacto da disbiose na saúde e equilíbrio da microbiota

Em condições de equilíbrio, o predomínio de Lactobacillus spp. garante a conversão do glicogênio em ácido lático, mantendo o pH <4,5, preservando a mucina e a integridade epitelial, suprimindo patógenos e reduzindo o risco de candidíase, VB, ISTs e ITUs.

Na VB, a perda desses lactobacilos favorece a proliferação de anaeróbios que produzem AGCCs e aminas voláteis, elevam o pH >4,5, degradam a mucina e comprometem a barreira, resultando em odor, corrimento e maior suscetibilidade a infecções recorrentes. A suplementação com probióticos equilibra a produção de ácido lático e a microbiota da mucosa vaginal, minimizando os sintomas e as infecções.

Ravel et al., 2024

Dessa forma, a integração entre probióticos orais e formulações locais (óvulos, filmes vaginais e cápsulas acidificantes) possibilita a recuperação da microbiota do ambiente vaginal representado na parte A da figura, revertendo o estado pró-inflamatório e de disbiose da parte B, garantindo retorno sustentável à eubiose, com melhora clínica expressiva e redução de sintomas e de recorrências.

Síntese dos efeitos da disbiose e da suplementação na microbiota vaginal Figura 1 · adaptado de Aldunate et al., 2015 · toque para ampliar

Figura 1: (A) modulação da microbiota: probióticos convertem glicogênio em ácido lático (pH abaixo de 4,5), suprimem patógenos e mantêm a barreira da mucosa íntegra e o ambiente saudável; (B) disbiose na vaginose bacteriana: degradação do glicogênio, pH acima de 4,5, aumento de bactérias anaeróbicas, degradação da mucina, menor integridade da barreira e mais mediadores pró-inflamatórios, com odor e corrimento

Sugestões de fórmulas

Antifúngico

Dose única

Sugestão de fórmula • IN
01

Vulvovaginite recorrenteAntifúngico · dose única

Fluconazol oral*150 mg
Cápsula qsp1 dose

Posologia: Uso em dose única, ou conforme indicado.

*Obs.: necessário prescrição médica.

Cápsula vaginal

Ressecamento e vaginose

Sugestão de fórmula • VAGINAL
02

Ressecamento vaginal e vaginose bacteriana (VB)Cápsula vaginal

Lactobacillus crispatus2 BLH.UFC
FEMiNi CARE30 mg
Vitamina E60 UI
Ácido lático1%
Cápsula vaginal qsp1 unidade

Posologia: Iniciar o uso 24 horas após a menstruação e utilizar 1 unidade à noite por 7–10 dias, seguindo com manutenção 2 vezes/semana por 4–8 semanas.

Intravaginal

Vaginose e candidíase

Sugestão de fórmula • VAGINAL
03

Vaginose bacteriana de repetiçãoAntimicrobiano

Metronidazol*0,75%
Nanomelaleuca0,5%
Óvulo qsp1 unidade

Posologia: 1 óvulo à noite por 7 dias, ou conforme indicado.

*Obs.: necessário prescrição médica.

Sugestão de fórmula • VAGINAL
04

Terapêutica da candidíaseAção antifúngica tópica + reparo da mucosa

Ácido bórico600 mg
Lactobacillus crispatus1 BLH.UFC
Óleo de melaleuca0,5%
Vitamina E40 UI
Óvulo de gelatina qsp1 unidade

Posologia: 1 óvulo intravaginal à noite por 7 a 10 dias, conforme indicado.

Terapêutica de manutenção: utilizar 2 vezes na semana por 4–6 semanas, conforme indicado.

Uso oral

Microbiota e pH

Sugestão de fórmula • IN
05

Equilíbrio da microbiota e do pH vaginal

Lactobacillus crispatus1,5 BLH.UFC
Lactobacillus rhamnosus2 BLH.UFC
Lactobacillus gasseri1 BLH.UFC
Quitosana300 mg
Inulina qsp1 dose

Posologia: 1 dose ao dia por 30–60 dias, ou conforme indicado.

Faixa de preçoAté R$ 100Até R$ 200Até R$ 300Até R$ 400*Preço sujeito a alterações, sem aviso prévio.

Preço sugerido para 30 doses.

Olhar científico

Uso profilático oral e/ou vaginal de probióticos na prevenção de infecções recorrentes do trato urinário em mulheres na pré-menopausa

Este estudo duplo-cego, controlado por placebo, avaliou a eficácia de probióticos orais e vaginais na profilaxia de infecções urinárias recorrentes (ITU) em mulheres na pré-menopausa (18–45 anos), todas com histórico de três ou mais episódios no último ano.

Grupos: G1 placebo oral + vaginal; G2 probiótico oral + placebo vaginal; G3 placebo oral + probiótico vaginal; G4 probiótico oral + vaginal.

Foram 174 participantes randomizadas para quatro grupos de tratamento e acompanhadas por 12 meses, com monitoramento de recorrências sintomáticas até o primeiro episódio de ITU, recebendo diariamente cápsulas orais (probiótico ou placebo) e comprimidos vaginais durante os primeiros oito dias de cada mês, por 4 meses consecutivos.

Resultados principais

  1. 1

    Menor recorrência sintomática

    Todos os grupos que receberam probióticos apresentaram menor recorrência sintomática de ITU em comparação ao grupo placebo.

  2. 2

    Probiótico oral + vaginal (G4)

    A combinação probiótico oral + vaginal (G4) apresentou os melhores resultados, seguida do vaginal isolado (G3).

  3. 3

    Menor carga de patógenos

    Redução significativa da carga de patógenos (E. coli, K. pneumoniae, P. mirabilis) foi observada somente em G3 e G4.

  4. 4

    Maior contagem de lactobacilos e bifidobactérias

    Aumento significativo da contagem de lactobacilos e bifidobactérias após 4 meses em G3 e G4.

  5. 5

    Maior recolonização vaginal

    G4 apresentou a maior recolonização vaginal pós-intervenção entre todos os grupos.

  6. 6

    Supressão de infecções vaginais comuns

    O uso de probióticos demonstrou supressão de infecções vaginais comuns e benefício adicional no tratamento auxiliar da vaginose bacteriana.

  7. 7

    Melhora observada pelas pacientes

    A maioria das pacientes de G3 e G4 relatou estar “muito melhor”, enquanto G1 e G2 permaneceram majoritariamente “sem alterações”.

Percepção de melhora por grupo

GrupoMelhorMuito melhorMinim. melhorSem alteraçãoMinim. piorMuito pior
G10 (0%)4 (9,1%)5 (11,4%)22 (50%)13 (29,5%)0 (0%)
G20 (0%)1 (2,3%)9 (20,9%)25 (58,1%)8 (18,6%)0 (0%)
G311 (25,6%)19 (44,2%)10 (23,3%)2 (4,7%)1 (2,3%)0 (0%)
G49 (20,5%)24 (54,5%)10 (22,7%)1 (2,3%)0 (0%)0 (0%)
Conclusão

A utilização de probióticos, isolados ou em combinação, mostrou reduzir significativamente a incidência e o número de recorrências de ITUs sintomáticas, além de prolongar de forma consistente o tempo até o primeiro episódio de recidiva.

Essas descobertas reforçam o papel promissor dos probióticos como estratégia complementar eficaz para a prevenção de ITU recorrentes em mulheres na pré-menopausa.

Gupta, Mastromarino & Garg, 2024

Fórmula a partir do estudo

Sugestão de fórmula • IN
06

Prevenção de ITU recorrenteUso oral · fórmula a partir do estudo

Lactoferrina150 mg
Lactobacillus paracasei1 BLH.UFC
Lactobacillus plantarum1 BLH.UFC
Lactobacillus acidophilus2 BLH.UFC
Lactobacillus bulgaricus2 BLH.UFC
Bifidobacterium longum1 BLH.UFC
Bifidobacterium infantis2 BLH.UFC
Bifidobacterium breve1 BLH.UFC
Streptococcus thermophilus2 BLH.UFC
Cranberry300 mg
D-manose1000 mg
GOS500 mg
Goma qsp1 unidade

Posologia: 1 dose diariamente por 120 dias, ou conforme orientação profissional.

+

Sugestão de fórmula • VAGINAL
06

Prevenção de ITU recorrenteUso vaginal · associar à fórmula oral

Lactobacillus plantarum1 BLH.UFC
Lactobacillus salivarius1 BLH.UFC
Lactobacillus brevis1 BLH.UFC
Óvulo qsp1 dose

Posologia: Utilizar durante 8 dias por 4 meses, ou conforme orientação médica.

Substâncias utilizadas nas fórmulas

SubstânciaAçãoDose usual
Ácido bóricoAntifúngico e regulador de pH, rompe biofilmes e reduz Candida spp.Neal et al., 2025300–600 mg
Bifidobacterium bifidumReequilibra a microbiota intestinal e auxilia na recomposição da microbiota.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
Bifidobacterium lactisModula a imunidade e favorece a homeostase da microbiota após uso de antibióticos.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
Cranberry™Inibe a adesão de E. coli ao trato urinário, auxiliando na prevenção de ITU.Nussbaumer-Pröll et al., 2025150–200 mg
D-manoseImpede a adesão de E. coli ao epitélio urogenital, reduzindo ITU de repetição.Ala-Jaakkola et al., 20221,5–2 g
FluconazolAntifúngico sistêmico de primeira linha para candidíase vulvovaginal.Thekho et al., 2024150 mg dose única
GOS (galacto-oligossacarídeo)Prebiótico seletivo que favorece a proliferação de lactobacilos e bifidobactérias.Dou et al., 2022500–2000 mg
InulinaPrebiótico que estimula lactobacilos e contribui para a modulação do pH vaginal.Ravel et al., 2024200–5000 mg
Lactobacillus acidophilusEquilíbrio intestinal e suporte transitório da microbiota vaginal.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
Lactobacillus crispatusPrincipal lactobacilo do microambiente vaginal, produz ácido lático e reduz VB e candidíase.Ravel et al., 20241–3 BLH.UFC
Lactobacillus gasseriModula pH, reduz inflamação e inibe a proliferação e adesão de patógenos.Thekho et al., 2024; Ravel et al., 20241–10 BLH.UFC
Lactobacillus paracaseiSuporte imunológico e equilíbrio intestinal após uso de antimicrobianos.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
Lactobacillus plantarumRedução da inflamação e modulação da biodiversidade da microbiota.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
Lactobacillus rhamnosusPromove recolonização enterovaginal, reduz VB, candidíase e ITU recorrentes.Ravel et al., 20241–3 BLH.UFC
Lactobacillus salivariusSuporte ao equilíbrio imune e controle de patógenos.Thekho et al., 20241–10 BLH.UFC
LactoferrinaAntimicrobiano e imunomodulador, reduz inflamação e inibe adesão de patógenos no trato urogenital.Roberts et al., 2019100–300 mg
Óleo de melaleucaAntifúngico e antibiofilme de amplo espectro, com ação anti-inflamatória local.Felipe et al., 20180,5–1%
MetronidazolAntimicrobiano para vaginose bacteriana e anaeróbios.Armstrong et al., 20220,75% intravaginal
QuitosanaInibe a aderência de E. coli e outros microrganismos oportunistas ao epitélio, auxiliando na prevenção de ITUs.Felipe et al., 2018200–1200 mg
Vitamina EAntioxidante e reparadora da mucosa, reduz irritação e melhora o conforto vaginal.Porterfield et al., 202230–100 UI

Referências

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